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Reportagem Bons Sons 2014

No rescaldo da edição de 2014 do Festival Bons Sons muito se pode contar, e muitas outras coisas ficarão na memória de por quem lá passou. Segundo dados da organização, este ano em que cerca de 35 mil pessoas marcaram presença na aldeia mais musical do país, a música produzida em Portugal foi novamente rainha. Numa celebração efusiva, aficcionados e curiosos uniram-se neste que já era e que se tornou num ainda maior abençoado fim-de-semana prolongado.

Na primeira noite, e já com aqueles que no campismo se haviam instalado, os Holy Nothing abriram as hostes tornando a entrada do parque de campismo numa improvisada pista de dança para que os que não quiseram perder pitada. De seguida, subiram ao palco os Bons Rapazes. Este duo de DJs, composto por Álvaro Costa e Miguel Quintão, continuou a noite numa ritmada electrónica principiando a madrugada do dia 15.

E chegou o tão esperado dia! Depois do aquecimento da noite de quarta-feira, as portas abriram para quatro dias de aventura pelos caminhos da melhor música portuguesa da actualidade. No interior da aldeia era já possível encontrar as primeiras centenas de pessoas que quiseram viver a aldeia, num evento que, embora seja 100% nacional, tem ainda a particularidade de abranger, musicalmente, uma enorme diversidade de estilos musicais.

Nestes quatro grandes dias, os aguardados protagonistas narraram estórias que ora desenhavam imagens no inconsciente das pessoas que foram viver a aldeia, ora levavam a diferentes tipos de expressão corporal. Uma última possibilidade se manifestava: o gerar de coros, por vezes desafinados, daqueles que descobriram ou que já conheciam os refrões mais monofrásicos.

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A primeira noite foi dedicada à entrega do prémio Megafone em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores. No principal objectivo deste concurso encontra-se uma dupla homenagem: por um lado, e de acordo com o director artístico do Festival Bons Sons, Luís Ferreira, a distinção dos “músicos ou entidades que contribuem para o presente e projecção futura das tradições musicais portuguesas”; por outro serve para recordar João Aguardela, um dos grandes compositores portugueses do século XX.
Sendo a final, o palco principal contou com a actuação dos três pré-seleccionados finalistas (Nó d’Alma, Omiri e Charanga). Depois da deliberação dos jurados, e antes da actuação de Galandum Galundaina (vencedores do prémio em 2010), foi anunciada a banda vencedora – Charanga. Para quem ainda não conhece são, segundo o seu bandcamp, “um projecto de música electrónica fortemente ligado às raízes da cultura popular portuguesa”.

O palco cuja curadoria estava a cargo da Música Portuguesa a Gostar Dela Própria (MPAGDP) localizado no interior da igreja de Cem Soldos – por lá passaram alguns dos nomes emergentes do panorama musical português.

Os borrifadores: Para os mais encalorados havia uma eficaz solução. Através da ajuda dos voluntários, e apenas com três ou quatro clicks, aqueles que sofriam com o calor abrasador que se fazia sentir em Cem Soldos encontraram uma maneira instantânea de se refrescarem.

As coreografias: Antes e durante alguns dos concertos da tarde, os festivaleiros arranjavam sempre forma para se divertirem – o salto à corda era uma delas. Também a imitação deu asas a muitos minutos de freestyle e de risos: uma criança, com quatro ou cinco anos, começou a dançar. De repente, uma enorme meia lua de gente envolveu o rapaz seguindo-lhe os passos.

Festival ecológico: Uma das bandeiras do Festival Bons Sons é a luta contra a poluição. Desta feita, em todas as edições são feitas campanhas a favor do uso de uma caneca de alumínio para combater o uso excessivo de plástico. Pelo que deu para ver, resultou!

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Claro que não se poderia deixar de falar da queda de Sérgio Godinho. Depois d’”O Brilhozinho nos Olhos” dá-se a aparatosa queda no fosso. Ao ter sido imediatamente socorrido pelos Bombeiros Voluntários de Tomar, voltou ao palco como se nada tivesse acontecido. Ainda assim o pior aconteceu, pois teve que levar pontos na cabeça depois da sua actuação.

Festival de dois em dois anos: Pois é, para ser em grande dá trabalho! Devido ao enorme esforço por parte da organização, dos moradores e dos voluntários e acrescendo o facto de para a sua concretização ter que se fechar por completo a aldeia, o Bons Sons só voltará em 2016.

Fotogaleria disponível em: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.768425709887852.1073741826.125150204215409&type=3

Reportagem: João Gonçalo Madeira
Fotografia: Ana Beatriz Lopes

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Balanço Fusing Culture Experience 2014 (com video)

Foi num clima crescendo, num desenvolvimento exponencial, que a segunda edição do FUSING Culture Experience, o único evento em Portugal a juntar num só espaço Música, Arte, Desporto e Gastronomia, chega ao fim. Com a passagem de cerca de 20 mil pessoas ao longo de três dias, o FUSING assume-se como um festival mais maduro, mais coeso, com um leque de atividades, workshops e concertos que sofreram uma forte evolução desde a sua primogénita edição.

Os números não mentem. Cerca de 40 horas de evento, 42 concertos, 13 Worskhops/Showcookings de Gastronomia, 400 m2 de parede pintada por Pantónio, 6 paredes e janelas intervencionadas por Tamara Alves espalhadas pela cidade da Figueira da Foz. Mais de 100 fotos com a hashtag #DIMFUSING, a tag do Double Instameet do FUSING, mais de 200 aulas gratuitas no interior da Surf Village, a somar a mais de 100 aulas na manhã de dia 15 na Praia do Cabedelo, esgotando o número de inscrições. Com número máximo de 30 inscrições, a programação do FUSING Kids não teve mãos a medir face à procura entusiasta da parte do público. O Merchandising Oficial do FUSING esgotou, bem como os Hambúrgueres da zona de Restauração. Se no ano passado, a página oficial de Facebook contava com cerca de 15 mil likes, ultrapassou os 27 mil no final desta segunda edição, a somar às 200 mil visualizações no site.

“Apesar das condições climatéricas que se fizeram sentir nos primeiros dois dias e que nos criaram certos imprevistos na nossa gestão, estamos muito satisfeitos com esta segunda edição de FUSING. Foi, sinceramente, um colectânea de momentos bonitos, marcantes, verdadeiras experiências que tanto referimos. Crescemos, trouxemos um produto mais trabalhado, mais pensado, mais à imagem do crescimento que queremos alcançar ao longo do tempo. A aposta no Cooking Lounge Pingo Doce e na Surf Village valeram todo o esforço e entrega da nossa parte, onde o público viveu e fez viver um verdadeiro espírito cultural. Somos um evento urbano e conseguimos o nosso propósito: Ser um festival sensorial por excelência, mexendo com todos os sentidos, do olfacto ao paladar, ao tacto, passando pela visão e audição. É aqui que nos diferenciamos e o caminho a que nos propomos continuar” refere a organização.

Se o palco da Gastronomia, o Cooking Lounge Pingo, encontrou-se sempre com “casa” cheia, a Surf Village não foi diferente. Do Workshop Pais e Filhos de Mafalda a Pinto Leite, ao Sushi & Gin Experience, passando pelo Chef vs Chef, a Gastronomia volta a revelar-se um dos ingredientes secretos do evento. Jetski e Wakeboard foram algumas das provas de um Desporto com maior peso no FUSING face ao ano anterior. A nível de cartaz musical, a opinião é unânime. Um palco Experience mais coeso e imponente, a apostar tanto em bandas locais, como em bandas emergentes, participantes do concurso de bandas, como electrónica internacional, como novamente no talento nacional. Noiserv, Orlando Santos, Ghetthoven, Slow Magic, não descurando os restantes, foram responsáveis por esse clima electrizante no palco Secundário.

A Garagem das Artes cresceu, ao desmembrar-se numa galeria viva, numa sala de aula, num local magistral para a partilha, um dos ninhos da cultura do FUSING. Exposições, Workshops de Bboying, Scratch, Fotografia e Vídeo, de tudo um pouco a Garagem recebeu de 14 a 16 de Agosto.

Cícero, a nova coqueluche da Música Popular Brasileira, estreou “Isabela” no Palco FUSING no dia 15. Capicua, a nova rainha do hip hop português, foi dona e senhora do primeiro dia do evento. Capitão Fausto e peixe : avião assumiram perante o público o papel de atração principal do segundo dia, enquanto Fachada, Dead Combo, PAUS e um imperial The Legendary Tigerman, fecharam esta segunda edição com chave de ouro e com casa cheia.

O FUSING assume-se como um evento urbano, onde não há lugar a acotovelamentos. A exaltação em absoluto da música portuguesa, com pequenas pinceladas de artistas internacionais, vão continuar a fazer parte da paleta de cores do conceito do evento, onde a sua identidade continuará a ser o seu maior cartão de visita.

Todas as informações estão disponíveis em www.fusing.pt ou na página oficial do evento no Facebook, Fusing Culture Experience.

Música Rock, indie e eletrónica